CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO TIO JOÃO BÚZIO

quarta-feira, 15 de abril de 2020

Pandemia Covid19

Para memória futura, fica aqui registado o novo contexto da nossa vida diária, resultante  da pandemia que atingiu todo o Mundo provocada pela disseminação do CoronaVirus.
As parcas notícias que nos chegavam da China no início deste ano de 2020 não deixavam antever nem prever que algo de formidável nos atingiria e mudaria as nossas rotinas e as nossa vidas diárias. 
Família, profissão, conhecimento, divertimento, interesse pessoal ou coletivo, tudo foi radicalmente alterado para podermos preservar esse tudo.
De repente deixámos de ter guerras e refugiados e problemas ambientais na ordem do dia e nas notícias. De repente ficámos protagonistas de uma guerra silenciosa, tornámo-nos refugiados nas nossas casa e , ironia, o ambiente do planeta ficou mais limpo.
Foi um começo atribulado para este ano bissexto. O fim ainda não sabemos... mas acreditamos que 


Vai Ficar Tudo Bem' | TVI lança vídeo emotivo 
 
 
As novas rotinas, os novos hábitos, os novos comportamentos (entre 14 de Março e 15 de Abril de 2020)
 
  • O preço da gasolina foi de 1,10 €.
  • Escolas fechadas- começam as aulas em casa.
  • Exames cancelados.
  • As medidas de distância são obrigatórias e até funcionam.
  • Fitas adesivas nos pisos dos supermercados e outras instalações para manter a distância entre os clientes (2 m).
  • Número limitado de pessoas dentro das lojas, bem como à porta da loja.
  • Lojas e negócios desnecessários fechados.
  • McDonalds e Co. Fechado! (nos restaurantes só takeway possível)
  • Parques e trilhos fechados.
  • Cidades inteiras fechadas devido a cercas sanitárias (Ovar)
  • Temporadas desportivas canceladas.
  • Concertos, passeios, festivais, eventos - cancelados.
  • Casamentos, festas de família e de ano - cancelado.
  • Funerais - apenas 10 pessoas.
  • Não são permitidos abraços nem apertos de mão.
  • As igrejas estão fechadas ao culto.
  • Proibidos ajuntamentos de 50 ou mais, depois 20 ou mais, agora 2 ou mais.
  • Sem contato direto com alguém fora da sua casa.
  • Parques infantis fechados.
  • Estádios e outras instalações de lazer estão fechadas, e transformam-se em instalações hospitalares para a assistência de pacientes com Covid 19 que não têm mais lugar nas clínicas ou hospitais.
  • O governo fecha as fronteiras para todas as viagens desnecessárias. 
  • Pânico nos supermercados e esgota-se o papel higiénico , o álcool, desinfetante de mãos. 
  • Dificilmente alguém anda pelas ruas. 
  •  As multas são multas por violação de regras.
  • Pessoas usam máscaras e luvas como só se costumava ver na China e Japão. 
  • O pessoal médico não vai para casa entre turnos para evitar contaminações.
  • Faltam máscaras, batas e luvas para os nossos heróis na frente.
  • Falta de ventiladores para doentes graves.
  • Destilarias, empresas textêis e universidades  mudam as suas linhas de produção para ajudar a fabricar viseiras de proteção, máscaras, desinfetantes de mão e batas.
  • Declarados 2 Estados de Emergência pelo Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
  • Comunicados diários do governo e da DGS. Atualizações diárias sobre novos casos, recuperações e mortes.
 

A Pneumónica - Pandemia de 1918




 
A Gripe Espanhola, considerada a mãe de todas as gripes, foi a primeira pandemia do século XX, ceifando mais de 20 milhões de vidas em todo o mundo. 
Em Portugal, onde chegou em 1918, foi chamada de "pneumónica" e atingiu o país em duas vagas: a 1ª entre Maio e Junho e a 2ª, muito agressiva, entre Agosto e Novembro. 
No Algarve foram os concelhos de Silves, Portimão, Lagoa e Faro os mais atingidos. O saldo total de mortos em toda a província algarvia foi de 3379. Olhão registou 13 mortes, sendo que o primeiro caso fatal aconteceu no nº 69 da Rua Formosa, a 9 de Outubro. 






quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Olhão Há 100 Anos

Em 1920, o Avô Xico e a Avó Cebola já namoravam. É certo que em Lisboa, o Bisa Francisco e a Bisa Joanna Baptista preparavam o casamento entre a Tia Amélia e o Tio João da Marta mas sabiam que o próximo enlace seria entre os nossos avós. 
Nessa época, Olhão fervilhava de vida e dinamismo económico. Espreitemos, pois, pela porta da História e vejamos como era a nossa Rua das Lojas nos anos 20 do século passado.

Rua do Rosário, no início do século XX

A Rua do Comércio já se chamou Rua do Rosário, mas os olhanenses sempre se lhe referiram como Rua das Lojas.
Nasceu com um traçado estreito que ligava os bairros ribeirinhos ao largo da Igreja Matriz e foi, desde sempre, um eixo urbano da maior importância não só por acolher a maior parte da vida comercial como também por alojar as instituições públicas que foram sendo criadas na vila. Testemunha da sua importância é o facto de ter sido a primeira rua a ser calcetada em 1838.
 
No início do século XX, o dinamismo da Vila de Olhão reflectia-se na Rua das Lojas: escritórios de advogados, médicos e de empresas conviviam com estabelecimentos comerciais variados que incluíam alfaiates, ourivesarias, camisarias, drogarias e ferragens, sapatarias, cafés e outros. A rua era, toda ela, "um mostruário de Olhão, da sua maneira de viver e sentir".
 
 
 
O movimento era intenso, as carroças que transportavam o peixe do cais, para fábricas espalhadas pela vila, faziam por ali o seu caminho de ida e volta [...]
Por outro lado, muitas pessoas montadas nos seus burricos, vinham ali fazer compras, e os animais ficavam à porta, enquanto os donos se aviavam nas lojas.
Em todo este bulício, uma nota constante. Era o matraquear dos socos e dos cloques [...].
Lá estava o Balance, a vender cereais, as favas e as ervilhocas, e do outro lado quase em frente, uma pitoresca casa onde uma senhora vendia pagelas religiosas, sanguessugas, repolhos, ervas para curar as mais diversas mazelas e no tempo próprio, ali apareciam melões e melancias, expostas à porta. Era a loja da Mariazinha do Albino. 
De lembrar ainda a casa de fazendas do senhor Joaquim da Silva Nardo, que no fundo do estabelecimento, tinha um pipo de vinho, onde reunia os amigos para cavaquearem e beberem uns copos.
Podia-se ver a mercearia do José Ventura, moderna, asseada de luxuosa apresentação, onde as pessoas do campo não ousavam entrar.
Podíamos espreitar a barbearia "Chic", do Justino Abeilardo, conhecido pela alcunha de "Pai do Céu", anunciando no "Correio Olhanense" que a sua casa era a mais higiénica e luxuosa de Olhão e a única que tinha "Cadeiras de Sistema Americano". E já agora, para desespero daqueles que hoje têm que ir ao barbeiro, informamos que este símbolo de modernidade e asseio, cobrava por cada barba oito tostões, lavagem da cabeça dez tostões, e corte de cabelo e barba, dois escudos e cinquenta centavos.
Logo de manhã, viam-se as criadas com o seu cesto na ida ou vinda dos mercados das verduras ou do peixe. O ruído das ferraduras dos burros, misturava-se com o pregão de alguns vendedores, e as vozes das vendedoras de figos e de mel, numa colorida gritaria.
Os comerciantes de roupa feita, à falta de montras, dependuravam à porta e às janelas, as capas, os fatos e as carapuças.
Outros mais ousados, para chamarem a atenção, como fazia a Casa Brasil, ligavam um altifalante ao gramofone, e espantavam o público com esta novidade revolucionária.
Ali apareceu a primeira tabuleta luminosa, e coisa incrível, uma coisa mesmo mágica, um outro apresentou um "placard" luminoso onde se podiam ler as notícias do dia.
Da parte da tarde este rumor, esmorecia um pouco. Era a hora de as senhoras saírem à rua para passear e ver o que havia de novo nos estabelecimentos das modas. Entrava-se nos Armazéns do Chiado ou na Casa Africana para ver as últimas novidades ou os novos tecidos, ou ía-se à Sapataria Elite[...].
Espreitava-se o Atelier Moderno, onde por um preço módico, se podia transformar ou tingir os chapéus, ou comprar o último modelo, cópia fiel de aquilo que se estava a usar em Paris.
O tempo fez calar o barulho dos socos e das chalocas.
Citação retirada de:
"Olhão e Abílio Gouveia", João Villares

segunda-feira, 30 de dezembro de 2019

O Tio Márinho


      De temperamento extrovertido e sociável, sempre encarou a vida com tranquilidade e humor.
      Nascido oficialmente às 4 horas da manhã do dia 30 de dezembro de 1938, Mário Paulo Viegas só foi registado e baptizado em maio do ano seguinte juntamente com o Tio António, que tinha nascido 6 anos antes. Como não podia ser "gémeo" do irmão pela diferença de idades, o pároco da altura registou-os com 1 mês de diferença. O seu padrinho de baptismo era para ter sido o Joaquim Paulo, na altura treinador do Olhanense, mas pelas fracas condições económicas da altura, deu o lugar ao irmão, Mestre de sacada. Foi, sem dúvida, um começo bem humorado, pronúncio de posteriores situações.



      Entroncado, muito moreno e de carapinha larga, levou uma primeira infância traquina pelo Largo da Feira, orientado pelos irmãos mais velhos, nomeadamente o Tio João a quem pedia cantando " Boínhe, péla o pê mina" (Boínhe, péla o pêro para mim!).
     A partir dos sete anos, as rotinas diárias direcionam-se para o sustento da casa. Numas, acompanha o avô na compra de peixe aos galeões para  depois vender pelas ruas, noutras vai com o avô levar a esposa do chefe Silvestre aos banhos das 6h da manhã. Já na primeira década de vida arranja trabalho como pastor das cabras de um Engenheiro da doca, que termina com um bofetão da patroa no dia em que, distraído com o vaivém das águas da ria, deixa os animais dizimar as favas de uma horta vizinha.
      Preocupada com a educação dos filhos, a Avô Cebola comprou um bibe em 2ª mão e uma mala de cartão e matriculou o Tio Márinho na escola do Largo da Feira. Mas foi curta a sua vida académica: terminou no dia em que foi presenteado com um par de botas, meses depois.

Alunos da Escola Primária do Largo da Feira, anos 50
       Entretanto, tomavam forma os serões animados. Dono de uma voz potente, afinada e bem timbrada, inventava os seus espetáculos, onde era simultaneamente apresentador e cantor, e que terminavam, muitas das vezes,  com tacadas de xarém dos irmãos espectadores.
      Em 1957, apanha boleia do barco "Bom Sucesso" do Mestre Joaquim Bexiga e vai a Lisboa à inspeção juntamente com o Tio António. A viagem de regresso é feita a bordo do salva-vidas de Paço d'Arcos do Mestre Joaquim Casaca. Salvam a despesa dos 82$50 do bilhete e salvam-se do serviço militar.

Salva-vidas  PATRÃO JOAQUIM CASACA (UAM-673),1979
    
Na década de 60 inicia a sua vida de pescador profissional. Os primeiros 5 anos faz a faina piscatória  em Matosinhos nas traineiras Zé Maria, Monte Sinai, Carlos Pinto, Arau, a primeira a usar um alador triplex, António Pedro e Flamingo.

 
Traineira António Pedro



Traineira Flamingo

 
Traineira Arau



O Tio Márinho e o Tio Russo, Matosinhos, 1960


       A 16 de fevereiro de 1964, contrai matrimónio com Maria Salvina Afonso (ver aqui).

O Tio Márinho e a Tia Salvina, com os Padrinhos de casamento


       Na safra de 1965/66, ruma à Figueira da Foz e trabalha a bordo da traineira Boa Fé.

Traineira Boa Fé

        Nos anos 67 e 68 trabalha nas traineiras Lurdinhas e Pérola do Arade, registada em Portimão mas a operar em Olhão.
       Em 1969 embarca nos arrastos "Vila de Lagos" e "Vila do Bispo" que fazem a rota do Cabo Branco.
     Nos quatro primeiros anos da década de 70, troca o mar pelas terras frias da Alemanha. Trabalha no porto de Bremen e torna-se operário fabril nas indústrias Baustahl e Juridth, na cidade de Glinde.

GlinderMuehlenteich.jpg
Paisagem de Glinde, Alemanha


       Em 1974, compra, em sociedade com o Tio Russo, a embarcação Xico Zé (que virá a a morrer, já desativada, na praia de Quarteira).
      No final da década, compra, em sociedade com o Tio João, a motora Rimar.
      Entre 1982 e 83, um revés na sua vida leva-o a fazer  uma pausa no trabalho para um retiro obrigatório.
     Regressado às lides do mar, é contramestre na Princesa do Sul e na Palmeta, com passagem pelo comando do barco da carreira Armonense.

Armonense, Barco da Carreira Olhão -Ilha da Armona
 
     Na década de 90 embarca no Caju de Vila Real de Santo António, e Nova Senhora da Piedade do Mestre Manuel da Velha.

     Pelo meio destas andanças laborais dedica algum tempo às lides artísticas, tornando realidade o contexto dos serões da infância. 
     Locais da nossa cidade como "A Pérola do Marisco", "O Pescador" e a "Cervejaria Dira", onde abrilhantou a inauguração, foram palco das suas apreciadas prestações artísticas.





A entrada do novo milénio traz-lhe a merecida reforma.
Hoje, 30 de dezembro, o Tio Márinho faz 81 anos. Longa vida para o membro mais velho da nossa grande família.





quarta-feira, 14 de agosto de 2019

As Alcunhas

         Hábito antigo que resume, de forma sintéctica, seja uma habilidade ou um defeito físico, seja uma característica comportamental ou uma estadia fora da terra, em Olhão, ricos e pobres, novos e velhos sempre tiveram alcunhas. Umas mantinham-se para a vida, outras alteravam-se com o passar dos anos.
          Na nossa família, não se fugiu à regra e cada um dos filhos do Avô Xico e da Avó Cebola tinha uma alcunha: O Tio Xico, foi o Quarteireiro e mais tarde o Guelha; O Tio João era o Cavalo Raio; O Tio Manel era o Tirone; o Tio António era o Diogo Alves; o Tio Márinho era o Preto; o Tio Russo, que se chamava Joaquim e foi logo alcunhado à nascença, também era o Sangue Branco e o Tio Celestino, tratado na família por o Menino, foi alcunhado mais tarde de O Banana. De qualquer modo, todos eram BÚZIOS.



Imagem relacionada

          
          
Sobre as alcunhas, em Olhão:

Não levem a mal, Senhores
Lembrar Alcunhas de Olhão.
E p’los meus se desenrola
Xico de Búzio, Cebola,
Como manda a tradição.


Água Morna, Amor sem Dentes,
Faz às Escuras, Faquita,
Rato Cego, Cólina, Chora,
Litepite, Meia Hora,
Chora Meninos, Caguita.


Erva Doce , Faz que Entendas,
Parte Pedras, Amador,
Ferra, Fitas, Forte, Forra,
Seis Meses e Pau de Porra
Rabisca agulhas, Major.


Pé de leque, Pai do Céu,
Pato Marreco, Galinho,
Patagalha, Fadagulha,
Charrana,Cluca, Fagulha,
Penalty,Alegre, Peidinho.


Caga Sangue, Calatrava,
Caga-aparas, Caga Arroz,
Toca a Música, Pescocinho,
Pé de Chumbo, Marrachinho,
Papagaio e Papa Arroz. 


Balancé, Barbas à Roda
Galhofa,Gancho, Cação
Baraço, Bruto, Bexiga,
Charuto, Bolota, Biga,
Corta-a-picha, Calhapão.


Mata cães, Mata pardais,
Cólina, Figuinho torrado,
Cagaia, Papa xarém,
Meia Dólar, Vinte e Um Vintém,
Quinze Tostões e Rasgado.


Papa a Mija, Vai à Burra,
Xarém com Leite, Cagão,
Rei dos Chinos, Mijaneira,
Mãe Quer Galo, Batateira,
Sopa Gorda, Espadagão.


Laborda, Manco, Tágafo,
Bocage, Cabouco, Milho,
Sete Narizes, Chópinha,
Charamuga e Galinha,
Arranca Pinheiros, Mamilho.


Cara Linda, Cara Feia,
Parte Certa, Gaita Preta,
Bem Feito, Bucha, Baló,
Olhinhos de fogo, Eiró,
Espada nua e Cagueta. 



No 77º aniversário do saudoso Tio Celestino, o texto que lhe levei na última visita ao hospital e que lhe arrancou risos e lágrimas.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

As Bibianas da Família


Já aqui tinha falado na herança dos nomes próprios na nossa família, todos repetidos em várias gerações por via do  Avô Xico. 
Assim, e só para citar alguns exemplos,  o nome Francisco veio do pai dele, Francisco Viegas Contreiras, e foi passado aos filhos, o Tio Xico, o Tio António (que era António Francisco), e o Primo Xiquezinho. O Tio Celestino recebeu o nome do pai da Bisa Joanna Baptista, José Celestino Barbosa. O Tio João (que era João José) herdou o nome do irmão mais velho da Bisa, João José Barbosa.

Tendo sido adotada, nada se sabe sobre qualquer membro da ascendência sanguínea da Avô Cebola. Como era hábito nessa época, as crianças da Roda (dos adotados) recebiam nomes bastante criativos para a altura, geralmente relacionados com o nome do Santo Católico do dia do registo. Assim a Avô Cebola, por ter sido batizada no dia 2 de dezembro, recebeu o nome de Bibiana da Conceição. 
E aqui começou a "dinastia das Bibianas" da família.


Bibiana da Conceição Viegas

 A Prima Bibiana nasceu em Olhão, a 4 de abril de 1957, e era filha da Tia Maria Lucinda.
Foi criada com a mãe e com a Avó Cebola. Nunca desenvolveu de forma correta as suas capacidades cognitivas e na transição para a adolescência o seu estado psíquico e físico foi-se agravando de forma irreversível. Faleceu com 19 anos, no dia 28 de outubro de 1975.





Neste pequeno filme, a Prima Bibiana pouco tempo antes da sua morte:(com som)








Esperança Bebiana da Silva André Afonso


 Filha do Tio João e da Tia Lucília, a Prima Esperancinha nasceu a 21 de novembro de 1956, em Olhão. . Aos dois anos foi viver para Matosinhos, onde o Tio João trabalhava na atividade piscatória.
Nessa cidade nortenha passou a infância e a adolescência. Em meados dos anos 70 regressou a Olhão.
Casou em 1979 com Mário Eusébio Afonso. Desse casamento nasceu a Prima Telma.
No início dos anos 90 concluiu a sua licenciatura e desde essa altura é professora do 2º ciclo. 


Bebiana da Conceição Seco Viegas


Filha do Tio António e da Tia Otília, a Prima Bebiana nasceu a 17 de dezembro de 1963, na freguesia de São Julião da Figueira da Foz.
Viveu com a família em Matosinhos e em Angola. 


Em Matosinhos, com a Prima Esperancinha e com a irmã Anabela

   
Em Angola, com os Pais e irmãs
    
Aos 19 anos, logo após terminar o 12º ano, foi para Londres trabalhar como nany para uma família britânica e aí ficou durante 8 anos.
Regressada a Olhão, empregou-se como técnica veterinária, atividade que ainda mantém.
De atitude tranquila mas de espírito irrequieto, a Prima Bebiana tem duas paixões: as viagens e o ciclismo de lazer.

Com a sua primeira bicicleta

Num passeio ciclista

A Prima Bebiana é membro dos "Leões de Olhão" (Ciclismo de Lazer)


Na Ásia e na Suiça


Com as irmãs: Anabela, Helga e Palmira


Victória Bibiana Afonso Mendonça




A Victória nasceu a 21 de novembro de 2012. É filha da Prima Telma e do Primo Tiago, e neta da Prima Esperancinha.
Tem agora 6 anos e vai entrar este ano para o 1º ano. 
Trouxe muitas características da nossa família. É uma criança alegre, curiosa e de espírito prático. Gosta de cantar e de dançar. 

A Victória é o último elemento desta dinastia das Bibianas da Família.
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A Primeira Neta

No dia em que comemora o seu 71º aniversário, vamos conhecer a Prima Plácinha, a primeira neta do Avô Xico e da Avó Cebola:


PRIMA PLÁCINHA




Os foguetes que na madrugada daquele dia 5 de outubro anunciavam as comemorações do Dia da Implantação da República marcaram a entrada neste mundo de Plácida Maria da Silva André (Guerreiro).

A primeira filha do Tio João e da Tia Lucília nasceu no dia 5 de outubro de 1947, na casa dos Avós, na Travessa do Matadouro, nº 17.
De espírito vivo e observador, cedo revelou a sua principal característica: o riso fácil e cristalino.

 
A Prima Plácinha com 5 anos


Entre 1953 e 1955, frequentou a Escola Primária do Largo da Feira, onde concluiu o exame da 3ª classe com sucesso.





A caneta de tinta permanente oferecida pelo pai no seu 8º aniversário

A Prima Plácinha e a Tia Necas no Jardim João Serra, em Olhão


Em 1958, a família fixa residência na Rua do Godinho, em Matosinhos, onde o Tio João já trabalhava na faina da pesca  havia 4 anos.
Plácinha regressa à escola para finalizar a instrução primária. É matriculada na Escola Oficial conhecida por "escola dos bombeiros", na Rua Brito Capelo, e em junho de 1959 faz o exame final da 4ª classe na escola da FNAT, na Rua do Pombal. Ainda nesse ano faz a comunhão solene na Igreja Matriz do Bom Jesus de Matosinhos.


No dia da Comunhão Solene




Com 13 anos


Acabada a instrução formal, Plácinha vai aprender costura e aos treze anos inicia a atividade laboral como aprendiza de alfaiate. A Família muda-se entretanto para o nº 385 da Rua Roberto Ivens.
Em 1961, na companhia da Prima Joaquina e do Primo Xico (filho da Tia Mariana e, portanto, sobrinho do nosso Avô Xico), Plácinha voltou a Olhão para um curto período de férias. São dessa época as duas fotografias seguintes:


Com amigas de infância e de escola

Com a Prima Esterinha (esquerda) e a Prima Zéa (centro)


Entre os 14 e os 16 anos trabalha como costureira com a D. Carolina Melo, na rua Gago Coutinho.
Em novembro de 1963 entra para a Fábrica de Encerados Victória, na Rua Ló Ferreira. Era um trabalho altamente especializado, onde as costureiras executavam todo o tipo de artigos têxteis e oleados para campismo e caravanismo.A dureza do trabalho foi de certo modo compensada com a introdução de novos incentivos laborais nos anos 60, tais como a chamada "semana inglesa", que contemplava o descanso laboral no período da tarde de sábado e dia de Domingo, e as férias pagas. Nessa fábrica esteve sete anos e é dessa época a fotografia seguinte: no seu 21º aniversário, a Plácinha juntou algumas colegas.


No quintal da casa nº356, na Rua Roberto Ivens
No começo dos anos 70, muda-se para uma empresa de peixe congelado, na Rua do Sul, e aí exerce funções de escriturária.

Por essa altura, inicia o namoro com o Manuel , algarvio de Quarteira mas fixado em Matosinhos desde jovem.

 
O Primo Manuel
Segundo filho de José Manuel Mariano Guerreiro, natural de Quarteira, e de Lúcia da Conceição Rijo, natural de Lisboa, Manuel Rijo Guerreiro nasceu em Quarteira, a 16 de dezembro de 1946.
Com 14 anos foi viver com a família para Matosinhos.
Nos primeiros anos da década de 70, a família mudou-se para Moçambique.

Lúcia Rijo e Mariano Guerreiro, pais do Primo Manuel

João José e Maria dos Santos, o irmão mais velho e a irmã mais nova

Plácinha e Manuel casaram por procuração em 29 de junho de 1974, sendo o Tio João o legal representante do noivo.


No dia do casamento
Dois meses depois, o jovem casal reune-se em Moçambique, na capital Lourenço Marques (hoje Maputo), onde o Manuel trabalhava no Entreposto Comercial como mecânico de veículos pesados.



Plácinha e Manuel, em Moçambique

Em 1975, a Plácinha e o Primo Manuel regressaram a Matosinhos.
Acalmadas as incertezas derivadas do contexto político e social gerado no pós-Revolução de Abril, Manuel vai trabalhar para o porto de Sines e no final da década entra para os quadros da Unicer, empresa cervejeira do Porto; Plácinha volta a trabalhar como costureira numa empresa ligada ao caravanismo e desporto.


Edifício situado no cruzamento da Avenida Serpa Pinto com a Rua 1º de Dezembro, Matosinhos. No primeiro andar trabalhou a Prima Plácinha         


Um sorriso no trabalho

Nos últimos anos do seu percurso laboral, trabalhou como empregada doméstica de uma família  do Porto.

O casal nos anos 90

Mas a reforma e os muitos anos de vida não lhe apagaram o gosto pelos desafios. E assim aprendeu os meandros da utilização dos computadores nas aulas de Informática para Séniores e Inglês para Séniores, patrocinadas pela Junta de Freguesia de Matosinhos e frequentadas na Escola Profissional Ruiz Costa, naquela cidade.

 
Numa reportagem televisiva sobre os cursos de Informática para Séniores

 
O primeiro Certificado em Inglês

Mulher desembaraçada e de convívio fácil, a Prima Plácinha foi sempre uma pessoa muito divertida e generosa. Na sua juventude era exímia bailarina e, característica genética, possuía uma voz límpida e intensa que emprestava emoção aos fados que gostava de cantar.



Na 1ª pessoa, a Prima Plácinha conta as suas

MEMÓRIAS VIVAS


Nasci num meio pobre e desfavorecido, mas a minha meninice foi pontuada de situações caricatas, lembradas na família com risos e exclamações de “ah! Bons tempos!”. Aqui vos conto duas das mais hilariantes:

Antigamente, a maior parte dos achaques de infância eram tratados com mézinhas e benzeduras. Ora eu nasci enfezadita e já ia nos dezoito meses e nada de andar e muito menos falar. Então a minha mãe resolveu "desengatinhar-me". Este procedimento ocorria em uma encruzilhada com duas testemunhas, um "Manel" e uma "Maria", que passavam a criança de um para o outro, enquanto se recitava uma lengalenga. 
Ficou aprazada a sessão no cruzamento onde hoje está a passagem desnivelada do caminho de ferro. Na altura, era tudo campo, tendo somente o Jardim João Serra e o Vítor Ferrador na entrada da avenida. O "Manel" era o Tio Manel, irmão do meu pai, e a "Maria" era uma amiga da minha mãe, a Maria Isaura (da família dos Calafates). A meio da sessão, o cão do Vítor Ferrador, pressentindo aquela azáfama humana, desatou a ladrar com intensidade de quem está preso e não pode ir espreitar o assunto… e no meio da debandada geral  o Manel e a Maria largaram a criança por terra. Quando tudo acalmou, e já em casa, o avô perguntou pela moça pequena. Ai Jesus! Que ninguém mais se lembrara da "engatadinha"  E lá vieram buscar-me à encruzilhada. Conta a família que eu estava no chão, deitada de bruços, embolada em terra como peixe enfarinhado.


Aí por volta dos meus dois anos, numa manhã cheia de sol, a minha mãe completou a minha indumentária com um lindo laço branco na cabeça e colocou-me à porta da Avó Cebola. Era aí o meu local privilegiado para observar todo o movimento do Largo da Feira. Como não andava, não havia o perigo de me ausentar inopinadamente da soleira da porta. Dentro de casa, a Avó Cebola fazia o seu governo quando ouviu bradar por ela aflitivamente. Veio à porta e o Ti João Maricas em altos gritos clamava “Ti Cebola! O "pórque" leva a Plácinha na boca!” Alarmados, avó e o dito vizinho desataram a correr em direção às “cabanitas”, para onde se dirigia também uma vara de porcos. Com grande aflição lá me descobriram mais à frente, abocanhada por um suíno, gordo e rosado. Escapei apenas com um ferimento ligeiro no pescoço. 
Mas, ao que parece, gostei desta modalidade de passeio pois contra o meu péssimo hábito de gritar por tudo e por nada, nem um piu saiu da minha boca durante a viagem!





Hoje, dia 5 de outubro, na passagem do seu 71º aniversário, a Prima dos Primos vem desejar-lhe muita saúde e longa vida!