CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO TIO JOÃO BÚZIO
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sexta-feira, 30 de abril de 2021

1921 - O Casamento dos Avós

 O GRANDE DIA

No dia 30 de Abril de 1921, o Avô Xico Búzio e a Avó Cebola casaram civilmente, em casa dos pais adoptivos da Avó, na Avenida da Feira. 


Teor da Certidão de casamento:

Às quinze horas do dia trinta do mês de Abril do anno de mil novecentos e vinte e um, nesta villa de Olhão e casa de residência de Manuel Sebastião, casado, negociante, sita na Avenida da Feira, perante mim Eduardo Ayres Leonardo de Mendonça, official no Registo Civil neste Concelho compareceram: Francisco Viegas, solteiro, marítimo, de vinte e um anos, natural desta villa, domiciliado e residente com seus paes nesta Avenida, filho legítimo de Francisco Viegas Contreiras, marítimo e de Joanna Baptista; e Bebiana da Conceição, solteira, doméstica, de  vinte e um annos , natural desta villa, domiciliada e residente nesta casa, filha de paes incógnitos e declararam perante mim e as testemunhas adeante nomeadas que, de sua livre vontade desejavam celebrar, como por este acto celebram de um casamento definitivo. Tendo previamente procedido em tudo conforme determina a lei, dei em seguida cumprimento a todas as formalidades do artigo 220 do Código de Registo Civil, e nada havendo que a mi me impedice, em nome da Lei da República Portuguesa declarei os contraentes unidos pelo casamento. Foram testemunhas presentes a todo este acto, os quaes declararam querer ser considerados padrinhos: Manuel Viegas, negociante, José Mendes Larguito, industrial, Palmira da Conceição e Maria da Conceição, domésticas, todos casados, residentes nesta villa. E para constar lavrei este registo que depois de ser perante todos lido e conferido com o seu conteúdo, vai ser assignado por mim, pela noiva, João Lopes Terramoto, distribuidor dos correios e telegrafo e Maria Custodia, doméstica, solteira, maior, residente nesta mesma villa, visto o noivo e demais testemunhas não saberem escrever. A importância dos emolumentos é de doze escudos e a importância dos sellos que vão colados no extracto é de trez escudos.

(assinaturas)

Bibiana da Conceição

João Lopes Terramoto

Maria Custódia

                               Official do Registo Civil

Eduardo Ayres Leonardo Mendonça

 

 

quarta-feira, 12 de junho de 2019

As Bibianas da Família


Já aqui tinha falado na herança dos nomes próprios na nossa família, todos repetidos em várias gerações por via do  Avô Xico. 
Assim, e só para citar alguns exemplos,  o nome Francisco veio do pai dele, Francisco Viegas Contreiras, e foi passado aos filhos, o Tio Xico, o Tio António (que era António Francisco), e o Primo Xiquezinho. O Tio Celestino recebeu o nome do pai da Bisa Joanna Baptista, José Celestino Barbosa. O Tio João (que era João José) herdou o nome do irmão mais velho da Bisa, João José Barbosa.

Tendo sido adotada, nada se sabe sobre qualquer membro da ascendência sanguínea da Avô Cebola. Como era hábito nessa época, as crianças da Roda (dos adotados) recebiam nomes bastante criativos para a altura, geralmente relacionados com o nome do Santo Católico do dia do registo. Assim a Avô Cebola, por ter sido batizada no dia 2 de dezembro, recebeu o nome de Bibiana da Conceição. 
E aqui começou a "dinastia das Bibianas" da família.


Bibiana da Conceição Viegas

 A Prima Bibiana nasceu em Olhão, a 4 de abril de 1957, e era filha da Tia Maria Lucinda.
Foi criada com a mãe e com a Avó Cebola. Nunca desenvolveu de forma correta as suas capacidades cognitivas e na transição para a adolescência o seu estado psíquico e físico foi-se agravando de forma irreversível. Faleceu com 19 anos, no dia 28 de outubro de 1975.





Neste pequeno filme, a Prima Bibiana pouco tempo antes da sua morte:(com som)








Esperança Bebiana da Silva André Afonso


 Filha do Tio João e da Tia Lucília, a Prima Esperancinha nasceu a 21 de novembro de 1956, em Olhão. . Aos dois anos foi viver para Matosinhos, onde o Tio João trabalhava na atividade piscatória.
Nessa cidade nortenha passou a infância e a adolescência. Em meados dos anos 70 regressou a Olhão.
Casou em 1979 com Mário Eusébio Afonso. Desse casamento nasceu a Prima Telma.
No início dos anos 90 concluiu a sua licenciatura e desde essa altura é professora do 2º ciclo. 


Bebiana da Conceição Seco Viegas


Filha do Tio António e da Tia Otília, a Prima Bebiana nasceu a 17 de dezembro de 1963, na freguesia de São Julião da Figueira da Foz.
Viveu com a família em Matosinhos e em Angola. 


Em Matosinhos, com a Prima Esperancinha e com a irmã Anabela

   
Em Angola, com os Pais e irmãs
    
Aos 19 anos, logo após terminar o 12º ano, foi para Londres trabalhar como nany para uma família britânica e aí ficou durante 8 anos.
Regressada a Olhão, empregou-se como técnica veterinária, atividade que ainda mantém.
De atitude tranquila mas de espírito irrequieto, a Prima Bebiana tem duas paixões: as viagens e o ciclismo de lazer.

Com a sua primeira bicicleta

Num passeio ciclista

A Prima Bebiana é membro dos "Leões de Olhão" (Ciclismo de Lazer)


Na Ásia e na Suiça


Com as irmãs: Anabela, Helga e Palmira


Victória Bibiana Afonso Mendonça




A Victória nasceu a 21 de novembro de 2012. É filha da Prima Telma e do Primo Tiago, e neta da Prima Esperancinha.
Tem agora 6 anos e vai entrar este ano para o 1º ano. 
Trouxe muitas características da nossa família. É uma criança alegre, curiosa e de espírito prático. Gosta de cantar e de dançar. 

A Victória é o último elemento desta dinastia das Bibianas da Família.
 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Avó Cebola - Aniversário

Na passagem do 117º aniversário do nascimento da Avó Cebola, recordemos o seu rosto ao longo da vida, nestas fotos que vão desde os 18 aos 79 anos.




E nestas modestas palavras da minha autoria, deixo o retrato que faço dela:


Entre pedras e poeira

Nasci no Largo da Feira

Minha mãe, rosto cansado
De rugas e desenganos
Não tinhas dias nem anos
Apenas sonho sonhado

De filhos, uma mão cheia
À tua roda vivia
No suor do dia a dia
Nos trilhos de volta e meia

Minha mãe, na selha de água
As parcas roupas lavavas
E a voz com que cantavas
De branco tingia a mágoa

Entre cestos e bancadas
Todo o resto bordejavas
E no peixe que enlatavas
Escorrias ânsias passadas

Minha mãe, rosto sulcado
De rugas e desenganos
Viste passar muitos anos
Viste passar o teu fado

Os filhos, todos partiram
Outras vidas arriscaram
E na sorte que ganharam
Toda a tua força viram
 
 
Oh, minha mãe, minha mãe
Teus olhos queria ver
Para nunca me esquecer
Qu’Entre pedras e poeira
Nasci no largo da feira

(Esperança Bebiana Afonso)

domingo, 5 de junho de 2011

A Avó Cebola

Falar da nossa Avó Cebola é como reunir os elementos para um argumento de filme ao melhor estilo: temos a criada de servir, rapariga nova vinda do campo para mudar de vida; um patrão, novo e casado, bem  parecido e socialmente bem enquadrado; uma criança, resultado de um momento carnal bem sucedido; e uma família de acolhimento, abastada e afectiva. Fim da primeira parte. Intervalo. A criança cresce imune à pobreza, torna-se uma jovem alegre e desanexada de problemas; casa-se numa família de bons princípios mas o marido, jovem honrado e íntegro, tem dificuldades em  encontrar o lugar certo do desafogo à medida que os filhos vão chegando. A Jovem esposa faz-se adulta e mãe trabalhadora de uma prole considerável, mas não perde a alegria e o sentido positivo da vida. Tem um casamento harmonioso que só termina com a morte do marido. Ela continua pela vida, amparando uma filha cujo destino lhe pregou uma trágica partida. Morre velha, rodeada pela imensa família a que deu origem. Fim.
A realidade ultrapassou a ficção. A vida da nossa adorada Avó Cebola foi mesmo assim. Passemos ao relato real.