CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO TIO JOÃO BÚZIO
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segunda-feira, 26 de abril de 2021

1921 - Memórias (IV)

 VESTIR POR DENTRO E POR FORA

O início dos Anos 20 do século passado trouxe profundas alterações na sociedade portuguesa. Os horrores da I Guerra Mundial  provocaram na população  uma vontade crescente de se agarrar à vida e vivê-la da melhor forma possível.

Uma dessas alterações deu-se no modo de vestir feminino

  

A mulher do início do século , espartilhada e de saias compridas, rendeu-se à influência das novidades importadas da Inglaterra ou França pela burguesia endinheirada.

Os espartilhos deram lugar aos primitivos sutiãs e as anáguas ou saiotes foram substituídos por combinações de tecidos finos.


 


 


 

Os vestidos subiram uns bons centímetros na altura e os xailes deram lugar a casacos de fazenda.

 

 


 

Em Olhão, e como já vimos nas montras da Rua das Lojas, as novas modas foram rapidamente adoptadas.

Embora as mulheres mais idosas ou conservadoras preferissem ainda as saias compridas, os xailes e até mesmo o bioco, as raparigas casadoiras cobiçavam os modelos que viam desfilar na Avenida ou nos bailes.


 

Prima Elvira, sobrinha do Avô Xico

A moda masculina também sofreu alterações, especialmente nos cortes dos fatos.

A roupa interior  resumia-se às ceroulas ou cuecas e camisa de dentro.


 




segunda-feira, 19 de abril de 2021

1921 - Memórias (III)

 Ir às Compras


Já vimos que Olhão era uma vila movimentada e colorida. À semelhança de outras localidades, as casas comerciais publicitavam os seus artigos nos jornais diários ou semanais. Em 1921 havia uma publicação que se dedicava unicamente à publicidade. Era o

 


Fechemos os olhos e imaginemos uma saída para ir às compras:


 






segunda-feira, 12 de abril de 2021

1921 - Memórias (II)

 OLHÃO - economia

 

Por volta de 1920, Olhão tinha 11050 habitantes.

A principal atividade económica era a pesca e todas as outras a ela associadas: venda de peixe e preparação nas fábricas de conserva.

A maioria dos armazéns de peixe situava-se na avenida 5 de Outubro. As fábricas de conserva de peixe espalhavam-se pelo Largo da Feira, rua de S. Bartolomeu, 18 de Junho, concentrando-se no extremo norte da Cerca do Júdice, junto à estrada nacional.

Era na Avenida 5 de Outubro, quase em frente da Praça do peixe, que os pais adoptivos da Avó Cebola tinham a sua venda de aviamentos para os pescadores, desde carvão à batata doce cozida. 



O Largo da Alfândega era, por assim dizer, a bolsa comercial da vila. Ali se realizavam os negócios, carregava-se o peixe para as fábricas e armazéns e se juntavam os milhares de caixas de conservas que iam ser colocadas em barcaças que as transportavam para os grande barcos fundeados à entrada da barra. 


 

 


 A pesca era o motor central da vida em Olhão, havendo pouco mais de indústrias e oficinas.

Primeiro eixo do aglomerado urbano primitivo, A Rua do Rosário representava o pulsar da vila. Era a Rua do Comércio, a rua onde se fixava o mundo comercial, a Rua das Lojas. 

 


 

Logo à entrada da rua estava a posta da diligência para Faro e outras terras. 

Ali estava instalado o tribunal, escritórios de advogados, o notariado, o escritório da Aliança do Sul. 

Era o melhor caminho para as pessoas irem aos mercados ou para aqueles que tinham a sua vida ligada as atividades do mar, o que tornava esta rua a de maior movimento da vila.

Aí se encontravam os mais diversos ramos comerciais desde as camisarias, as chapelarias, os alfaiates, as ourivesarias, os artigos para homens e senhoras, as sapatarias, as drogarias e ferragens, as papelarias.

Nesta rua encontravam-se o campo e a cidade. Tanto se podia comprar o gorro para o pescador, como o vistoso chapéu de plumas.

Ricos e pobres toda a gente por ali passava.

O ruído das ferradura dos burros misturavam-se com o com o pregão de alguns vendedores e as vozes das vendedoras de figos  e mel numa colorida gritaria.

Por cima deste vozear erguia-se o ruído das carroças ou a correria de uma charrete transportando algum conserveiro a caminho da lota ou da fábrica.

Caleche com rodado de ferro, circulando na Rua das Lojas, 1920

 Tudo isto era abafado por vezes pelo estridor das sirenes das fábricas, avisando as operárias que tinha chegado peixe e estava na hora de começar o trabalho. 

 

Citação: João Villares in Olhão e Abílio Gouveia 

terça-feira, 6 de abril de 2021

1921 - Memórias

 O Dinheiro

Em 1921, a moeda corrente era o escudo, dividido em centavos. 

Havia moedas de 1, 2, 4, 5, 10, 20 e 50 centavos. A moeda de 10 centavos era geralmente apelidada de tostão



 

 
 
 

 
 

Circulavam também notas de 50 centavos, 1 escudo, 2 escudos e 50 centavos, 5 escudos, 10 escudos, 20 escudos, 50 escudos, 100 escudos, 500 escudos e 1000 escudos.
Quando se falava em mil escudos, dizia-se conto de réis.





Os tempos a seguir à 1ª Guerra Mundial foram muitos difíceis e houve grande escassez de moedas. Surgiram nesse período as cédulas municipais e outras que substituíam o dinheiro corrente.  
 

 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

Olhão Há 100 Anos

Em 1920, o Avô Xico e a Avó Cebola já namoravam. É certo que em Lisboa, o Bisa Francisco e a Bisa Joanna Baptista preparavam o casamento entre a Tia Amélia e o Tio João da Marta mas sabiam que o próximo enlace seria entre os nossos avós. 
Nessa época, Olhão fervilhava de vida e dinamismo económico. Espreitemos, pois, pela porta da História e vejamos como era a nossa Rua das Lojas nos anos 20 do século passado.

Rua do Rosário, no início do século XX

A Rua do Comércio já se chamou Rua do Rosário, mas os olhanenses sempre se lhe referiram como Rua das Lojas.
Nasceu com um traçado estreito que ligava os bairros ribeirinhos ao largo da Igreja Matriz e foi, desde sempre, um eixo urbano da maior importância não só por acolher a maior parte da vida comercial como também por alojar as instituições públicas que foram sendo criadas na vila. Testemunha da sua importância é o facto de ter sido a primeira rua a ser calcetada em 1838.
 
No início do século XX, o dinamismo da Vila de Olhão reflectia-se na Rua das Lojas: escritórios de advogados, médicos e de empresas conviviam com estabelecimentos comerciais variados que incluíam alfaiates, ourivesarias, camisarias, drogarias e ferragens, sapatarias, cafés e outros. A rua era, toda ela, "um mostruário de Olhão, da sua maneira de viver e sentir".
 
 
 
O movimento era intenso, as carroças que transportavam o peixe do cais, para fábricas espalhadas pela vila, faziam por ali o seu caminho de ida e volta [...]
Por outro lado, muitas pessoas montadas nos seus burricos, vinham ali fazer compras, e os animais ficavam à porta, enquanto os donos se aviavam nas lojas.
Em todo este bulício, uma nota constante. Era o matraquear dos socos e dos cloques [...].
Lá estava o Balance, a vender cereais, as favas e as ervilhocas, e do outro lado quase em frente, uma pitoresca casa onde uma senhora vendia pagelas religiosas, sanguessugas, repolhos, ervas para curar as mais diversas mazelas e no tempo próprio, ali apareciam melões e melancias, expostas à porta. Era a loja da Mariazinha do Albino. 
De lembrar ainda a casa de fazendas do senhor Joaquim da Silva Nardo, que no fundo do estabelecimento, tinha um pipo de vinho, onde reunia os amigos para cavaquearem e beberem uns copos.
Podia-se ver a mercearia do José Ventura, moderna, asseada de luxuosa apresentação, onde as pessoas do campo não ousavam entrar.
Podíamos espreitar a barbearia "Chic", do Justino Abeilardo, conhecido pela alcunha de "Pai do Céu", anunciando no "Correio Olhanense" que a sua casa era a mais higiénica e luxuosa de Olhão e a única que tinha "Cadeiras de Sistema Americano". E já agora, para desespero daqueles que hoje têm que ir ao barbeiro, informamos que este símbolo de modernidade e asseio, cobrava por cada barba oito tostões, lavagem da cabeça dez tostões, e corte de cabelo e barba, dois escudos e cinquenta centavos.
Logo de manhã, viam-se as criadas com o seu cesto na ida ou vinda dos mercados das verduras ou do peixe. O ruído das ferraduras dos burros, misturava-se com o pregão de alguns vendedores, e as vozes das vendedoras de figos e de mel, numa colorida gritaria.
Os comerciantes de roupa feita, à falta de montras, dependuravam à porta e às janelas, as capas, os fatos e as carapuças.
Outros mais ousados, para chamarem a atenção, como fazia a Casa Brasil, ligavam um altifalante ao gramofone, e espantavam o público com esta novidade revolucionária.
Ali apareceu a primeira tabuleta luminosa, e coisa incrível, uma coisa mesmo mágica, um outro apresentou um "placard" luminoso onde se podiam ler as notícias do dia.
Da parte da tarde este rumor, esmorecia um pouco. Era a hora de as senhoras saírem à rua para passear e ver o que havia de novo nos estabelecimentos das modas. Entrava-se nos Armazéns do Chiado ou na Casa Africana para ver as últimas novidades ou os novos tecidos, ou ía-se à Sapataria Elite[...].
Espreitava-se o Atelier Moderno, onde por um preço módico, se podia transformar ou tingir os chapéus, ou comprar o último modelo, cópia fiel de aquilo que se estava a usar em Paris.
O tempo fez calar o barulho dos socos e das chalocas.
Citação retirada de:
"Olhão e Abílio Gouveia", João Villares