OLHÃO - economia
Por volta de 1920, Olhão tinha 11050 habitantes.
A principal atividade económica era a pesca e todas as outras a ela associadas: venda de peixe e preparação nas fábricas de conserva.
A maioria dos armazéns de peixe situava-se na avenida 5 de Outubro. As fábricas de conserva de peixe espalhavam-se pelo Largo da Feira,
rua de S. Bartolomeu, 18 de Junho, concentrando-se no extremo norte da Cerca do Júdice,
junto à estrada nacional.
Era na Avenida 5 de Outubro, quase em frente da Praça do peixe, que os pais adoptivos da Avó Cebola tinham a sua venda de aviamentos para os pescadores, desde carvão à batata doce cozida.
O Largo da Alfândega era, por assim dizer, a bolsa comercial da vila. Ali se realizavam os negócios, carregava-se o
peixe para as fábricas e armazéns e se juntavam os milhares de caixas
de conservas que iam ser colocadas em barcaças que as transportavam para
os grande barcos fundeados à entrada da barra.
A pesca era o motor central da vida em Olhão, havendo pouco mais de indústrias e oficinas.
Primeiro eixo do aglomerado urbano primitivo, A Rua do Rosário representava o pulsar da vila. Era a Rua do Comércio, a rua onde se fixava o mundo comercial, a Rua das Lojas.
Logo à entrada da rua estava a posta da diligência para Faro e outras terras.
Ali estava instalado o tribunal, escritórios de advogados, o notariado, o escritório da Aliança do Sul.
Era o melhor caminho para as pessoas irem aos mercados ou para aqueles que tinham a sua vida ligada as atividades do mar, o que tornava esta rua a de maior movimento da vila.
Aí se encontravam os mais diversos ramos comerciais desde as camisarias, as chapelarias, os alfaiates, as ourivesarias, os artigos para homens e senhoras, as sapatarias, as drogarias e ferragens, as papelarias.
Nesta rua encontravam-se o campo e a cidade. Tanto se podia comprar o gorro para o pescador, como o vistoso chapéu de plumas.
Ricos e pobres toda a gente por ali passava.
O ruído das ferradura dos burros misturavam-se com o com o pregão de alguns vendedores e as vozes das vendedoras de figos e mel numa colorida gritaria.
Por cima deste vozear erguia-se o ruído das carroças ou a correria de uma charrete transportando algum conserveiro a caminho da lota ou da fábrica.
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Caleche com rodado de ferro, circulando na Rua das Lojas, 1920
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Tudo isto era abafado por vezes pelo estridor das sirenes das fábricas, avisando as operárias que tinha chegado peixe e estava na hora de começar o trabalho.
Citação: João Villares in Olhão e Abílio Gouveia