CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO TIO JOÃO BÚZIO

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Lembrar Os que Partiram

Vamos entrar num tempo de lembrar os membros da nossa família que já partiram para a vida eterna.
Dos mais antigos só nos resta o que os retratos sépia fixaram num tempo que não nos pertence.
Mais próximos estão todos os outros, chamados de volta ao Criador quando faziam parte da nossa vida atual. Avós, Pais, Irmãos, Filhos... todos temos deles as mais ternas recordações e a sua presença estará sempre associada a um momento específico das nossas vidas. Por isso em algumas das fotografias estão alguns de nós, que ainda por cá andamos.
Lembremos o olhar, o sorriso, a expressão. Celebremos a saudade. 




quarta-feira, 29 de outubro de 2014

I Encontro Viegas & Cia

Pois é, queridos Primas e Primos.
Numa iniciativa da Prima Sofia Madeira, está a ganhar corpo o I ENCONTRO VIEGAS & CIA
Programado para acontecer no próximo dia 22 de novembro, no Restaurante do Grupo Naval de Olhão, o evento visa juntar as Primas e os Primos para um são e alegre convívio. As redes sociais, nomeadamente o Facebook, têm sido o espaço de divulgação, mas como sei que muitos familiares não as frequentam aqui fica o alerta. Passem a palavra e confirmem a vossa presença.
As Primas e os Primos que estão longe não estão esquecidos e deles esperamos propostas de futuros encontros em que possam estar presentes.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Rua a Rua

A lembrança que todos os primos têm da Avó Cebola contextualiza-se no Largo da Feira, mais propriamente na Travessa do Matadouro, numero 17. Muitas das fotografias que estão nas outras páginas foram aí tiradas.
Os nossos Avós fixaram aí residência quando vieram de Lisboa definitivamente. Mas os Pais deles e os Avós deles moraram em diversas ruas e largos de Olhão.Algumas dessas ruas desapareceram definitivamente por força do progresso e evolução urbana, outras mudaram de nome devido ao aparecimento de novos herois na cena política portuguesa e outras ainda nasceram em virtude do crescimento do núcleo urbano.
Os nossos bisavós e os pais deles viveram em casas no Bairro Manuel Luís- já desaparecido; na Rua de São Bartholomeu - hoje Rua Almirante Reis; na Rua da Lagoa ou do Pé Comido - actual Rua da Alagoa (a rua que vai da Ourivesaria Miranda para o Largo da Câmara); na Rua da Liberdade; na Travessa de Sant'Anna; no Bairro do Pelourinho (traseiras da Câmara); na Rua de Sancto António; na Rua do Sol Posto; na Rua da Cerca de Ferro; no Bairro dos Arménios; no Bairro dos Sete Cotovelos (atual rua dos sete cotovelos); na Rua da Angela; no Bairro do Moinho.
 
Na década de 1870 era este o traçado das ruas existentes em Olhão:

de Antonio Martins

 

domingo, 4 de maio de 2014

Pelo Dia da Mãe, As Mães da Família

Deixo aqui uma pequena homenagem a todas as Mães da nossa família. 
Em primeiro lugar à Avó Cebola, Bibiana da Conceição, Mãe da nossa família recente. Depois vêm as outras Mães todas, as mais antigas, as que foram as nossas bisavós, trisavós e quartas avós: Joanna Baptista, Joanna da Cruz, Iria de São João, Maria José Contreiras, Cecília de Jesus, Anna Maria e Caetanna Maria.


Quando Eu For Pequeno  

Quando eu for pequeno, mãe,
quero ouvir de novo a tua voz
na campânula de som dos meus dias
inquietos, apressados, fustigados pelo medo.
Subirás comigo as ruas íngremes
com a certeza dócil de que só o empedrado
e o cansaço da subida
me entregarão ao sossego do sono.

Quando eu for pequeno, mãe,
os teus olhos voltarão a ver
nem que seja o fio do destino
desenhado por uma estrela cadente
no cetim azul das tardes
sobre a baía dos veleiros imaginados.

Quando eu for pequeno, mãe,
nenhum de nós falará da morte,
a não ser para confirmarmos
que ela só vem quando a chamamos
e que os animais fazem um círculo
para sabermos de antemão que vai chegar. 

Quando eu for pequeno, mãe,
trarei as papoilas e os búzios
para a tua mesa de tricotar encontros,
e então ficaremos debaixo de um alpendre
a ouvir uma banda a tocar
enquanto o pai ao longe nos acena,
lenço branco na mão com as iniciais bordadas,
anunciando que vai voltar porque eu sou pequeno
e a orfandade até nos olhos deixa marcas.

José Jorge Letria, in "O Livro Branco da Melancolia"


segunda-feira, 14 de abril de 2014

Boa Páscoa

As minhas amêndoas, folares e ovos de Páscoa para todas as Primas e Primos têm uma forma diferente.
Este desafio de procurar os nossos antepassados já tem alguns anos mas ultimamente tem dado frutos, bons frutos. A nossa família "antiga" era muito grande, mesmo grande. O nosso avô tinha muitos tios, tios-avós e ainda mais primos. Até ao momento tenho cerca de 100 nomes contabilizados, e a ordenação dos registos que comprovam a sua existência tem de ser feita com calma e tranquilidade.
Assim, aqui temos a primeira parte da árvore genealógica do nosso AVÔ FRANCISCO. Dela só constam os pais, os avós e bisavós e respetiva data de nascimento.


sábado, 29 de março de 2014

Os Nomes na Família

Todas as Famílias têm características próprias, seja pelos traços fisionómicos, seja pelos talentos artísticos, seja pelos nomes. As minhas pesquisas sobre os nossos antepassados têm-me levado a descobertas no mínimo curiosas, no que diz respeito aos NOMES.
Comecemos pelo nome CELESTINO: o primeiro na família foi o avô do avô Xico - JOSÉ CELESTINO BARBOSA, nascido em 1832. Dele herdaram o nome o nosso Tio Celestino e o filho, o Primo Celestino, bem como um sobrinho do avô Xico.
Este trisavô era casado com IRIA DE S. JOÃO. Este casal de antepassados teve um filho de nome JOÂO JOSÉ, e por isso o meu pai era João José.
O nome MARIA JOSÉ vem de uma 4ª avó, isto é, da bisavó do avô Xico, nascida cerca de 1810. É dela, também, que vem o sobrenome CONTREIRAS.
MANUEL e FRANCISCO é um nome recorrente desde o patriarca da Família, MANUEL VIEGAS BALTHASAR CONTREIRAS, nascido em 1834 e falecido em 1898.
Tivemos na Família uma CAETANA e uma MARIA DO SACRAMENTO, bem como um VERÍSSIMO, todos tios do Avô Xico.
A profissão foi sempre a de marítimo, embora os diversos padrinhos de baptismo dos membros da família tivessem as mais variadas ocupações desde negociantes de peixe a caldeireiros, passando por comerciantes e até oficiais de justiça.




sábado, 14 de dezembro de 2013

BOAS FESTAS


Para todas as Primas e Primos, 

votos de 

Feliz Natal e Bom Ano Novo

O PRESÉPIO


da net

 O Presépio

A palavra Presépio deriva do latim praesepium, que quer dizer curral, estábulo ou lugar de recolha de gado.

Conta a tradição católica que o presépio surgiu no séc. XIII, em Úmbria (região da Itália central). Foi S. Francisco de Assis que, com a permissão do Papa, criou um presépio com figuras humanas e animais, recriando o local de nascimento de Jesus, que serviu de pano de fundo para a missa de Natal desse ano. Esta representação teve tanto sucesso, que se tornou numa referência Cristã, representativa do Natal, em quase todo o mundo.

Em Portugal, o presépio tem tradições muito antigas (por volta do séc. XVII). É colocado no início do Advento sem a figura do menino Jesus, que será posta na noite de Natal, após a missa do galo. O presépio é desmontado no dia seguinte ao Dia de Reis.

Na tradição Portuguesa, as figuras que se colocam no presépio, além da Sagrada família (S. José, Maria e o Menino Jesus), dos pastores e alguns animais e dos três Reis Magos, também encontramos figuras como o moleiro e o seu moinho, lavadeiras, membros de um rancho folclórico e outras personagens típicas da cultura portuguesa. Tradicionalmente feito de barro, podemos encontrar ainda peças de diversos materiais, desde tecido ou madeira até porcelana fina.  (da net)

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Da Avó Cebola

Este é o primeiro documento da Avó Cebola: o registo no livro da instituição que a acolheu.
Como já anteriormente tinha contado ( A Avó Cebola - Parte I - A Roda; Junho de 2011), a Avó Cebola foi deixada numa instituição de acolhimento de crianças abandonadas. Infelizmente era uma situação comum naquela época. Chamava-se a isso "A Roda dos expostos".


Este documento é confirmado pelo registo de batismo:




terça-feira, 26 de novembro de 2013

O Nascimento e Baptismo do Avô Francisco Viegas

Nestas minhas andanças de vasculhar o nosso passado, a história da nossa família, encontrei o REGISTO DE BAPTISMO do Avô Francisco Viegas.


Descodificando esta escrita de paróquia, temos os seguintes dados:

Local de nascimento: Rua de S. Bartolomeu (atual Rua Almirante Reis)
Data de nascimento: 1 de setembro de 1899 (seis horas da noite)
Data do baptismo: 10 de setembro de 1899
Pai: Francisco Viegas Contreiras, filho de Manuel Viegas Contreiras e de Joanna do Carmo
Mãe: Joanna Baptista, filha de José Celestino Barbosa e de Iria de São João
Padrinhos: José Pereira Ramos e Ermelinda Belmira Alves
Averbamento: casou com BIBIANA DA CONCEIÇÂO em 30 de Abril de 1921
                         faleceu em 15 de Abril de 1960

domingo, 3 de novembro de 2013

Homenagens

Quase um ano esteve este canto dos primos sem registo de atividade. Muito rio correu para o mar, e assim também muitas coisas aconteceram. A vida quase nunca é como a desenhamos e os desenhos que nela vamos fazendo alteram-se muitas vezes sem darmos por isso. E assim se passou um ano, de trabalho e trabalhos, de alegrias e tristezas.
Este nosso canto pretende honrar recordações, momentos felizes dos que já partiram e unir os que ainda andam por cá com os laços das boas lembranças. Da primeira geração a que os nossos avós deram origem já quase todos partiram e aos dois tios que estão entre nós só podemos desejar longa vida, com saúde e alegrias.
Da segunda geração, a dos primos, vimos partir a Bibiana e a Ester.
No passado mês de outubro, assistimos consternados à prematura partida do nosso querido primo Miguel, filho do primo Miguelito.
No início do mês de novembro costumamos honrar os nossos mortos, aqueles que se libertaram da lei impreterível da morte. Deixo aqui a minha humilde e sincera homenagem a estes três Primos, cada um com a sua história de vida, cada um com o seu lugar insubstituível no seu núcleo familiar mais próximo, mas todos eles com um lugar especial nos nossos corações. 
Até um dia, meus queridos!

A Prima Ester




 A Prima Bibiana


 



 O Primo Miguel




segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

BOAS FESTAS



Hoje é dia de ser bom.
É dia de passar a mão pelo rosto das crianças,
de falar e de ouvir com mavioso tom,
de abraçar toda a gente e de oferecer lembranças.

É dia de pensar nos outros— coitadinhos— nos que padecem,
de lhes darmos coragem para poderem continuar a aceitar a sua miséria,
de perdoar aos nossos inimigos, mesmo aos que não merecem,
de meditar sobre a nossa existência, tão efémera e tão séria.

Comove tanta fraternidade universal.
É só abrir o rádio e logo um coro de anjos,
como se de anjos fosse,
numa toada doce,
de violas e banjos,
Entoa gravemente um hino ao Criador.

E mal se extinguem os clamores plangentes,
a voz do locutor
anuncia o melhor dos detergentes.

De novo a melopeia inunda a Terra e o Céu
e as vozes crescem num fervor patético.
(Vossa Excelência verificou a hora exacta em que o Menino Jesus nasceu?
Não seja estúpido! Compre imediatamente um relógio de pulso antimagnético.)

Torna-se difícil caminhar nas preciosas ruas.
Toda a gente se acotovela, se multiplica em gestos, esfuziante.
Todos participam nas alegrias dos outros como se fossem suas
e fazem adeuses enluvados aos bons amigos que passam mais distante.

Nas lojas, na luxúria das montras e dos escaparates,
com subtis requintes de bom gosto e de engenhosa dinâmica,
cintilam, sob o intenso fluxo de milhares de quilovates,
as belas coisas inúteis de plástico, de metal, de vidro e de cerâmica.

Os olhos acorrem, num alvoroço liquefeito,
ao chamamento voluptuoso dos brilhos e das cores.
É como se tudo aquilo nos dissesse directamente respeito,
como se o Céu olhasse para nós e nos cobrisse de bênçãos e favores.

A Oratória de Bach embruxa a atmosfera do arruamento.
Adivinha-se uma roupagem diáfana a desembrulhar-se no ar.
E a gente, mesmo sem querer, entra no estabelecimento
e compra— louvado seja o Senhor!— o que nunca tinha pensado comprar.

Mas a maior felicidade é a da gente pequena.
Naquela véspera santa
a sua comoção é tanta, tanta, tanta,
que nem dorme serena.

Cada menino
abre um olhinho
na noite incerta
para ver se a aurora
já está desperta.
De manhãzinha,
salta da cama,
corre à cozinha
mesmo em pijama.

Ah!!!!!!!!!!

Na branda macieza
da matutina luz
aguarda-o a surpresa
do Menino Jesus.

...

Dia de Confraternização Universal,
Dia de Amor, de Paz, de Felicidade,
de Sonhos e Venturas.
É dia de Natal.
Paz na Terra aos Homens de Boa Vontade.
Glória a Deus nas Alturas.

Dia de Natal , António Gedeão




quarta-feira, 4 de abril de 2012

BOA PÁSCOA

 A palavra Páscoa vem do hebraico Pessach, que significa passagem e é um evento religioso comum a judeus e cristãos.

 
No relato bíblico, Deus mandou 10 pragas sobre o Egito . A última delas consistiu na morte de todos os  primogénitos egípcios após a passagem do anjo da morte sobre as suas casas, mas os hebreus seriam poupados. Esta mortandade obrigou o Faraó a  libertar o povo de Israel, dando início ao Êxodo para a Terra Prometida. Essa data seria doravante comemorada todos os anos. É a Páscoa Judaica, cuja tradição se mantém quase intacta até aos dias de hoje.
 
Foi durante uma dessas celebrações que Jesus Cristo chegou a Jerusalém. Foi acusado, preso e crucificado. Assim, na Páscoa os cristãos celebram a Ressurreição de Jesus Cristo depois da sua morte.

VOTOS DE BOA PÁSCOA

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

BOAS FESTAS


VOTOS DE UM
FELIZ NATAL E BOM ANO NOVO
PARA TODOS
OS TIOS E TIAS
PRIMOS E PRIMAS

Outros Natais

Para mim, o natal teve sempre um significado muito grande, muito por “culpa” do meu pai, que era um grande entusiasta da festa da família. Era ele que alegrava as Ceias com os cânticos ao Menino, tão tradicionais da nossa terra.

Já nasceu, já nasceu o Deus Menino,
com prazer e alegria
Já nasceu, já nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria
A Nossa Senhora tem,
tem uma rosa no punho
Que lhe puseram os anjos,
a vinte e quatro de junho
Já nasceu, já nasceu o Deus Menino,
com prazer e alegria
Já nasceu, já nasceu o Deus Menino,
Filho da Virgem Maria
  
Além do mais, era a época em que avô Cebola mandava os cestos com as iguarias que no Norte não havia: figos acalcados e figos cheios, batata doce para as trutas, bolotas, amêndoas côcas e laranjas algarvias, grandes, de umbigo aberto. Abrir o cesto da Avô era um ritual que me ligava à cultura de origem.
O primeiro natal de que me lembro com nitidez foi um no início dos anos 60 (62 ou 63). Aí já  morávamos sozinhos, numa casa pequenina, a que ternamente chamávamos “caseta”. Lembro-me da minha mãe a preparar o jantar e de eu ter posto, bem cedo, na chaminé, a minha bota.  O tio Márim, perito em brincadeiras e partidas, começou a chamar por mim – Esperancinha, vem cá, o Menino Jesus  já passou! E eu, rebentando de felicidade, a correr para a cozinha, para ver o que o Menino me tinha deixado. Sai, então, da cozinha o Tio com a minha bota na mão, carregada de… cascas de batatas! Bom, o choro foi mais que muito. Mas, no outro dia de manhã, lá tinha os meus brinquedos.
Outro lembrado natal foi já na casa grande. Aí fazíamos sempre a Ceia no chão do quarto dos pais, por ser uma divisão muito grande, mas muito aconchegada. O meu pai gostava dos natais no chão, tal como fora habituado em casa dos avós, onde se comia e dormia numa alternância de celebração. Neste natal que recordo, tivemos a presença do Tio Tóine, da Tia Otília, das primas e da avó materna delas. A certa altura do jantar, buliçoso e divertido, o Tio começa a cantar canções que nada tinham a ver com a quadra. Uma delas era sobre peixes – o refrão era qualquer coisa como: e o maçacote também quer ser congelado, eu cá não, eu cá não… -  mas a maneira como o tio cantava levou-nos às lágrimas… de riso! Foi de rebentar!
Sem qualquer espécie de revivalismo, tenho saudades desses natais. Porque marcaram uma época em que o Natal era mesmo o aniversário do Menino Jesus e era ele que nos “oferecia” os poucos  presentes mas únicos. Porque era a quadra da família, no seu conceito mais puro, coletivo e partilhado.

domingo, 25 de setembro de 2011

O Filho mais velho - Tio Xico


Conheci-o em 1961, quando ele foi para Matosinhos. Tinha cerca de quarenta. Baixo, entroncado, de rosto vincado e moreno, e às vezes usava chapéu, acessório ainda comum nos homens na década de sessenta. Dessa época não me lembro de muitas coisas dele, pois não tinha a ligação que tinha com os outros tios, provavelmente porque era mais velho e não tinha as brincadeiras com os miúdos que os irmãos tinham.
Lembro-me mais  dos anos posteriores, quando vínhamos a Olhão passar uns dias, em Maio. Invariavelmente, quando chegávamos era a casa dele, na Almirante Reis, 117, que íamos primeiro. Curioso pensar agora, a esta distância de tempo, sobre algumas das coisas vividas em primeira mão, aqui na minha terra.  Eu tinha seis anos quando os meus pais resolveram fazer a primeira visita à terra natal, depois de terem ido para Matosinhos, e, quando cá cheguei, a maneira de falar das pessoas era-me totalmente desconhecida e até mesmo incompreensível, mas ao mesmo encantadora. E uma das pessoas que eu pasmava a ouvir falar era o Primo Miguelito. Para mim era como se ele cantasse a falar. Recordo que quando voltei para casa, levei dias a imitá-lo, para grande divertimento do meu pai. Outra vivência em primeira mão com o Tio e família  foi conhecer a Ilha da Armona. E por fim,  aquela coisa espantosa que era  comer uma carapinhada na esplanada da Gelvi, ao som da “Chiquita Banana” que brilhava num inimaginável ecrã ao ar livre! Bolas! Bons tempos! Grandes tempos!
O Tio Xico era casado com a Tia Lucinda, mulher alta e magra, cuja mãe, pequenina, tinha um sentido de humor apurado, sempre pronto para uma piada ou anedota.

No início de casados, os meus pais chegaram a partilhar uma casa com os Tios, no Beco do Nobre. Nessa altura já havia o Primo Xiquezinhe, nascido em 1944 e a Prima Esterinha, nascida em 1948. Depois, em 1954 nasceu o Primo Miguelito, e por fim em 1957, nasceu a Maria José, mas que só é conhecida por  Prima Zéa.
O Primo Xiquezinhe estudou em Faro, casou com a Prima Betinha e teve três filhos: a Ana, o Paulo e o Mário.
A Prima Esterinha, uma das caras mais bonitas da família da segunda geração, casou com o Primo Zé Manel,  e teve a Ana Paula e o Cláudio. Infelizmente, deixou-nos cedo de mais, em 1991.
O Primo Miguelito aprendeu a arte de trabalhar o mármore. Casou com a Prima Cidália e é pai da Prima Sandra e do Primo Miguel.
A Prima Zéa casou com o Primo Ilidinho e teve o Primo Ilídio e o Primo Nuno. Acrescento aqui que a Prima Zéa era a minha companheira de andanças quando cá vinha em férias, e depois mais tarde, quando morei em casa do Tio Márim. Éramos quase da mesma idade (tenho mais um ano que ela) e as amigas dela passaram a ser minhas também, nessa altura. Agradava-me esta prima pelo sentido de humor e desembaraço parecidos com o meu. Aliás o sentido de humor foi sempre o apanágio desta grande família dos Avós.
Quando regressei de vez a Olhão, lidei mais de perto com o Tio Xico e Tia Lucinda e confirmei a boa impressão que sempre tive deles.
O Tio Xico deixou este mundo em Março de 2000 e a Tia Lucinda juntou-se-lhe em 2007.

sábado, 3 de setembro de 2011

O Único Genro

Os Avós tiveram um único genro – o Tio Manuel Viegas – e esse facto fez dele mais um filho a juntar aos outros.
Conheci-o já assim, isto é, já bem entrado nos quarenta:

Era um homem de fala enrolada, mas culto e que falava crioulo (a língua de Cabo Verde) fluentemente. Gostava de poesia e até é capaz de haver por aí alguns dos poemas feitos por ele, em crioulo, que eu li há mais de trinta anos.
Era muito guloso, especialmente para as rabanadas do Natal. Por entretenimento, chegou a fazer algumas fainas de mar no barco do meu pai, protagonizando algumas brincadeiras e partidas que encarava sempre com boa disposição. Tinha uma particularidade única: embora o fizesse com bastante frequência, a ida ao barbeiro para cortar o cabelo era sempre um pesadelo – o barulho da tesoura nos cabelos provocava-lhe uma impressão enorme, às vezes quase doentia, que o deixava de mau humor (creio que era essa a única vez que tinha mau humor).
Nascido em 20 de junho de 1929, era um dos sete filhos (só masculinos) de José Viegas Cava e de Natividade Bonança. Cedo ficou sem os pais e por influência do meio-irmão mais velho, o Comissário Luciano Cava, entrou para a Polícia de Segurança Pública.
Casou com a Tia Necas no dia 23 de Fevereiro de 1957 e no início dos anos 60 foi para Luanda e mais tarde para Cabo Verde, onde integrou o corpo da PSP que fazia serviço no Campo do Tarrafal, na ilha de Santiago – antiga prisão política.
Aí conheceu Luandino Vieira e o respeito mútuo fez com que este grande nome das letras Angolanas lhe oferecesse o rascunho do seu primeiro livro de contos, produzido na prisão, escrito à máquina e encadernado com capas feitas das caixas de papel químico “Kores”.
Com a queda do Regime, o regresso de África foi inevitável. Foi então colocado em Lisboa, na esquadra das Mercês, no Bairro Alto, em Lisboa.
No final dos anos setenta veio para a esquadra de Olhão, como subchefe. Reformou-se nos anos oitenta. Faleceu no dia 23 de Fevereiro de 1992, aos 63 anos, no dia em que celebraria 35 anos de casado.

sábado, 20 de agosto de 2011

Os Filhos e Filhas

A década de 20 trouxe aos nossos Avós 4 filhos:  três rapazes e uma rapariga. O primeiro foi um rapaz, António, cuja fotografia está na página seguinte e que morreu antes de fazer  1 ano, os dois seguintes foram o Tio Xico e o Tio João, depois veio uma menina, a Otelinda da Conceição, falecida também em bebé, e a década fechou com o nascimento do Tio Manel.
Nas primeiras décadas do século XX, a mortalidade infantil era um facto muito presente na sociedade portuguesa, baseada, sobretudo, na falta de meios médicos na província, na pobreza endémica das populações donde derivavam escassas condições de vida. A nossa família não fugiu à regra, e o casal perdeu três filhos.
Na década de 30 chegaram a Tia Necas, o Tio Tóine, a Tia Maria Lucinda e o Tio Márim.
Na década de 40  nasceram  o Tio Russo e o Tio Celestino.
Estes filhos tinham características muito curiosas: uns morenos, de cabelos ondulados escuros, outros de tez branca e louros e o Tio Márim, moreno, lábios grossos e carapinha larga e confirmar a costela africana da Avó Cebola.
Aprenderam a ler e a escrever oficialmente os dois mais novos: andaram na escola e acabaram o ensino primário. A Tia Necas frequentou o ensino ministrado pelo Sindicato das Conservas e portanto já em idade adulta. O Ti Márim ainda frequentou a escola do Padre Delgado na mira das botas com que atraíam os garotos ao ensino, mas assim que as teve nunca mais lá apareceu. O Tio João frequentou o ensino particular em Lisboa, mas quando se mudaram para Olhão, o Avô já não o matriculou; no entanto sabia ler e escrever com muita correcção. Os restantes permaneceram analfabetos. Recordo aqui  um  facto curioso: O Tio Tóine resumia na perfeição todo e qualquer filme estrangeiro que fosse ver, embora não lesse uma palavra das legendas.
Todos estes filhos e filhas tiveram uma relação de excelência com o trabalho, até a Tia Maria Lucinda, “tecnicamente” inapta. O mar e a fábrica foram o reino deste grupo de homens e mulheres de bem.
Após a morte do Avô, ocorrida na Páscoa de 1960, o Tio João chamou a si a tarefa de contribuir para a orientação dos irmãos, no sentido de puderem constituir a sua própria família sem terem a preocupação do sustento da mãe viúva e da irmã incapaz e com uma filha, uma vez que o Tio Xico e a Tia Necas já tinham casado.  
Assim, em 1961/62 a Avó Cebola foi para a nossa casa de  Matosinhos com a Tia Maria Lucinda e a Prima Bibiana.

A Avó, a Tia Maria Lucinda, a Prima Bibiana e eu
Matosinhos
Nessa safra e nas três ou quatro que se seguiram juntaram-se os tios Xico, Manuel, Tóine, Márim e mais tarde o Tio Russo, depois de fazer a tropa na Póvoa do Varzim e o Tio Celestino, antes de ir para a guerra do Ultramar.


Da esquerda: Tio João, Tio Tóine, Tio Celestino, n/r, Tio Márim, Primo João Cebola
Matosinhos, após a morte do Avô
 A Avó Cebola foi a primeira a regressar a Olhão, logo seguida do Tio Xico. O Tio Manel regressou para se casar com a Tia Ermelinda. Em seguida casou o Tio Tóine, na Figueira da Foz, com a Tia Otília. No ano seguinte casou o Tio Márim com a Tia Salvina, a seguir casou o Tio Celestino com a Tia Manuela e por último o Tio Russo com a Tia Elvira.
Desse início da década de 60 tenho muito boas recordações. Aos domingos de manhã ia à missa com a Avó Cebola à Capela de Santo Amaro (as missas ainda eram em Latim) e à tarde comíamos tremoços à janela, a ver quem passava. Durante a semana era a azáfama da chegada de todos a casa depois de mais uma faina na traineira, seguida do almoço na sala, em volta de uma mesa carregada de gente divertida e faladora. Muitas vezes ia com a minha mãe, a Tia Lucília, à rua Heróis de França, a rua da doca pesca e onde ficava o armazém de redes do barco do meu pai, buscar o peixe para o almoço e lá encontrava os tios no café Palhaça, a ouvir os últimos discos da moda que saía em altos berros de uma velha jukebox! Vozes tão distintas como as de Tony de Matos, Fernando Farinha, Elvis Presley ou Marino Marini, debitavam as músicas do momento que todos sabiam de cor à força de as ouvir tantas e tantas vezes.
O Tio Márim e eu
Matosinhos
De sábado para domingo as traineiras não saíam pelo que íamos à noite ao café ver televisão. Lá iam os tios aperaltados, educados e apreciados por toda a gente , sempre prontos a pregar as suas partidas inofensivas mas que provocavam sempre muitas gargalhas. Era a época das séries de TV como “Bonanza” ou “Ivanhoe” ou “Mr. Ed”, seguidas atentamente por grandes e pequenos.
Mas os Tios também tinham as suas saídas sozinhos, os seus passeios, os seus amigos, como mostram as fotos.
Também havia momentos de grande aflição, como na noite em que foi ao fundo a traineira “Zé Maria”, onde o Tio João era o Mestre de Redes. Nessa traineira trabalhava o Tio Manel, que foi notícia de jornal por ter salvo o cãozinho que levavam a bordo. Felizmente não houve vítimas, mas lembro-me que foram horas aflitivas enquanto se esperavam por notícias via rádio.


A Traineira José Maria
 Foram realmente bons esses distantes anos!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

ATUALIZAÇÃO DO ARQUIVO FOTOGRÁFICO

Primos e Primas!

A partir de agora, a as fotografias postadas semanalmente (ou quase!) irão para o princípio da respetiva página. Assim, quando abrirem o separador não têm necessidade de correr a página toda. 

Hoje há material NOVO !  VAMOS LÁ ESPREITAR!

sábado, 30 de julho de 2011

Uma Família da Diáspora


E nos anos 20, o Avô e a Avó começaram esta grande família. Nas décadas de 20, 30 e 40 nasceu a prole: 12 filhos, 9 dos quais chegaram à idade adulta.
Os primeiros 6 nasceram entre viagens Olhão-Lisboa-Olhão. Antevia-se, assim, percursos de vida inquieta. Todos os filhos, na altura própria de cada um, sentiram o desejo de estar, partir e chegar. E essa diáspora alargou-se às gerações posteriores.
Lembremos, então, esses percursos: Matosinhos, Lisboa e Figueira da Foz foram os primeiros destinos de uma migração marítima que os filhos seguiram, nos anos 50 e 60, em busca de melhor vida. Os anos 70 trouxeram outras oportunidades e perspetivas de vida e a Europa abriu-se a uns (Alemanha) e África esperou por outros (Cabo-Verde, Luanda, Porto Alexandre). Todos os filhos orientaram as suas vidas fora de portas, mas todos regressaram às origens.
Os netos, bom, os netos não negaram a força da genética e também eles acolheram a inquietação da partida e da chegada. Os que estavam fora regressaram, os que estavam cá dispersaram-se pelo país (Lisboa, Açores) e por essa Europa (Suiça, Itália, Alemanha),  cumprindo uma vez mais a diáspora da família.
Martin  Luther King disse um dia “I have a dream” (Tenho um sonho), e eu, também filha da diáspora e regressada à terra onde um dia nasci, também tenho um sonho, ainda que tão distante de se poder cumprir: juntar todos os primos e primas sob o sol da nossa terra e perto da nossa Ria Formosa e celebrarmos, sem quaisquer diferenças, o elo que nos une.