CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO TIO JOÃO BÚZIO

quarta-feira, 12 de junho de 2019

As Bibianas da Família


Já aqui tinha falado na herança dos nomes próprios na nossa família, todos repetidos em várias gerações por via do  Avô Xico. 
Assim, e só para citar alguns exemplos,  o nome Francisco veio do pai dele, Francisco Viegas Contreiras, e foi passado aos filhos, o Tio Xico, o Tio António (que era António Francisco), e o Primo Xiquezinho. O Tio Celestino recebeu o nome do pai da Bisa Joanna Baptista, José Celestino Barbosa. O Tio João (que era João José) herdou o nome do irmão mais velho da Bisa, João José Barbosa.

Tendo sido adotada, nada se sabe sobre qualquer membro da ascendência sanguínea da Avô Cebola. Como era hábito nessa época, as crianças da Roda (dos adotados) recebiam nomes bastante criativos para a altura, geralmente relacionados com o nome do Santo Católico do dia do registo. Assim a Avô Cebola, por ter sido batizada no dia 2 de dezembro, recebeu o nome de Bibiana da Conceição. 
E aqui começou a "dinastia das Bibianas" da família.


Bibiana da Conceição Viegas

 A Prima Bibiana nasceu em Olhão, a 4 de abril de 1957, e era filha da Tia Maria Lucinda.
Foi criada com a mãe e com a Avó Cebola. Nunca desenvolveu de forma correta as suas capacidades cognitivas e na transição para a adolescência o seu estado psíquico e físico foi-se agravando de forma irreversível. Faleceu com 19 anos, no dia 28 de outubro de 1975.





Neste pequeno filme, a Prima Bibiana pouco tempo antes da sua morte:(com som)








Esperança Bebiana da Silva André Afonso


 Filha do Tio João e da Tia Lucília, a Prima Esperancinha nasceu a 21 de novembro de 1956, em Olhão. . Aos dois anos foi viver para Matosinhos, onde o Tio João trabalhava na atividade piscatória.
Nessa cidade nortenha passou a infância e a adolescência. Em meados dos anos 70 regressou a Olhão.
Casou em 1979 com Mário Eusébio Afonso. Desse casamento nasceu a Prima Telma.
No início dos anos 90 concluiu a sua licenciatura e desde essa altura é professora do 2º ciclo. 


Bebiana da Conceição Seco Viegas


Filha do Tio António e da Tia Otília, a Prima Bebiana nasceu a 17 de dezembro de 1963, na freguesia de São Julião da Figueira da Foz.
Viveu com a família em Matosinhos e em Angola. 


Em Matosinhos, com a Prima Esperancinha e com a irmã Anabela

   
Em Angola, com os Pais e irmãs
    
Aos 19 anos, logo após terminar o 12º ano, foi para Londres trabalhar como nany para uma família britânica e aí ficou durante 8 anos.
Regressada a Olhão, empregou-se como técnica veterinária, atividade que ainda mantém.
De atitude tranquila mas de espírito irrequieto, a Prima Bebiana tem duas paixões: as viagens e o ciclismo de lazer.

Com a sua primeira bicicleta

Num passeio ciclista

A Prima Bebiana é membro dos "Leões de Olhão" (Ciclismo de Lazer)


Na Ásia e na Suiça


Com as irmãs: Anabela, Helga e Palmira


Victória Bibiana Afonso Mendonça




A Victória nasceu a 21 de novembro de 2012. É filha da Prima Telma e do Primo Tiago, e neta da Prima Esperancinha.
Tem agora 6 anos e vai entrar este ano para o 1º ano. 
Trouxe muitas características da nossa família. É uma criança alegre, curiosa e de espírito prático. Gosta de cantar e de dançar. 

A Victória é o último elemento desta dinastia das Bibianas da Família.
 

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

A Primeira Neta

No dia em que comemora o seu 71º aniversário, vamos conhecer a Prima Plácinha, a primeira neta do Avô Xico e da Avó Cebola:


PRIMA PLÁCINHA




Os foguetes que na madrugada daquele dia 5 de outubro anunciavam as comemorações do Dia da Implantação da República marcaram a entrada neste mundo de Plácida Maria da Silva André (Guerreiro).

A primeira filha do Tio João e da Tia Lucília nasceu no dia 5 de outubro de 1947, na casa dos Avós, na Travessa do Matadouro, nº 17.
De espírito vivo e observador, cedo revelou a sua principal característica: o riso fácil e cristalino.

 
A Prima Plácinha com 5 anos


Entre 1953 e 1955, frequentou a Escola Primária do Largo da Feira, onde concluiu o exame da 3ª classe com sucesso.





A caneta de tinta permanente oferecida pelo pai no seu 8º aniversário

A Prima Plácinha e a Tia Necas no Jardim João Serra, em Olhão


Em 1958, a família fixa residência na Rua do Godinho, em Matosinhos, onde o Tio João já trabalhava na faina da pesca  havia 4 anos.
Plácinha regressa à escola para finalizar a instrução primária. É matriculada na Escola Oficial conhecida por "escola dos bombeiros", na Rua Brito Capelo, e em junho de 1959 faz o exame final da 4ª classe na escola da FNAT, na Rua do Pombal. Ainda nesse ano faz a comunhão solene na Igreja Matriz do Bom Jesus de Matosinhos.


No dia da Comunhão Solene




Com 13 anos


Acabada a instrução formal, Plácinha vai aprender costura e aos treze anos inicia a atividade laboral como aprendiza de alfaiate. A Família muda-se entretanto para o nº 385 da Rua Roberto Ivens.
Em 1961, na companhia da Prima Joaquina e do Primo Xico (filho da Tia Mariana e, portanto, sobrinho do nosso Avô Xico), Plácinha voltou a Olhão para um curto período de férias. São dessa época as duas fotografias seguintes:


Com amigas de infância e de escola

Com a Prima Esterinha (esquerda) e a Prima Zéa (centro)


Entre os 14 e os 16 anos trabalha como costureira com a D. Carolina Melo, na rua Gago Coutinho.
Em novembro de 1963 entra para a Fábrica de Encerados Victória, na Rua Ló Ferreira. Era um trabalho altamente especializado, onde as costureiras executavam todo o tipo de artigos têxteis e oleados para campismo e caravanismo.A dureza do trabalho foi de certo modo compensada com a introdução de novos incentivos laborais nos anos 60, tais como a chamada "semana inglesa", que contemplava o descanso laboral no período da tarde de sábado e dia de Domingo, e as férias pagas. Nessa fábrica esteve sete anos e é dessa época a fotografia seguinte: no seu 21º aniversário, a Plácinha juntou algumas colegas.


No quintal da casa nº356, na Rua Roberto Ivens
No começo dos anos 70, muda-se para uma empresa de peixe congelado, na Rua do Sul, e aí exerce funções de escriturária.

Por essa altura, inicia o namoro com o Manuel , algarvio de Quarteira mas fixado em Matosinhos desde jovem.

 
O Primo Manuel
Segundo filho de José Manuel Mariano Guerreiro, natural de Quarteira, e de Lúcia da Conceição Rijo, natural de Lisboa, Manuel Rijo Guerreiro nasceu em Quarteira, a 16 de dezembro de 1946.
Com 14 anos foi viver com a família para Matosinhos.
Nos primeiros anos da década de 70, a família mudou-se para Moçambique.

Lúcia Rijo e Mariano Guerreiro, pais do Primo Manuel

João José e Maria dos Santos, o irmão mais velho e a irmã mais nova

Plácinha e Manuel casaram por procuração em 29 de junho de 1974, sendo o Tio João o legal representante do noivo.


No dia do casamento
Dois meses depois, o jovem casal reune-se em Moçambique, na capital Lourenço Marques (hoje Maputo), onde o Manuel trabalhava no Entreposto Comercial como mecânico de veículos pesados.



Plácinha e Manuel, em Moçambique

Em 1975, a Plácinha e o Primo Manuel regressaram a Matosinhos.
Acalmadas as incertezas derivadas do contexto político e social gerado no pós-Revolução de Abril, Manuel vai trabalhar para o porto de Sines e no final da década entra para os quadros da Unicer, empresa cervejeira do Porto; Plácinha volta a trabalhar como costureira numa empresa ligada ao caravanismo e desporto.


Edifício situado no cruzamento da Avenida Serpa Pinto com a Rua 1º de Dezembro, Matosinhos. No primeiro andar trabalhou a Prima Plácinha         


Um sorriso no trabalho

Nos últimos anos do seu percurso laboral, trabalhou como empregada doméstica de uma família  do Porto.

O casal nos anos 90

Mas a reforma e os muitos anos de vida não lhe apagaram o gosto pelos desafios. E assim aprendeu os meandros da utilização dos computadores nas aulas de Informática para Séniores e Inglês para Séniores, patrocinadas pela Junta de Freguesia de Matosinhos e frequentadas na Escola Profissional Ruiz Costa, naquela cidade.

 
Numa reportagem televisiva sobre os cursos de Informática para Séniores

 
O primeiro Certificado em Inglês

Mulher desembaraçada e de convívio fácil, a Prima Plácinha foi sempre uma pessoa muito divertida e generosa. Na sua juventude era exímia bailarina e, característica genética, possuía uma voz límpida e intensa que emprestava emoção aos fados que gostava de cantar.



Na 1ª pessoa, a Prima Plácinha conta as suas

MEMÓRIAS VIVAS


Nasci num meio pobre e desfavorecido, mas a minha meninice foi pontuada de situações caricatas, lembradas na família com risos e exclamações de “ah! Bons tempos!”. Aqui vos conto duas das mais hilariantes:

Antigamente, a maior parte dos achaques de infância eram tratados com mézinhas e benzeduras. Ora eu nasci enfezadita e já ia nos dezoito meses e nada de andar e muito menos falar. Então a minha mãe resolveu "desengatinhar-me". Este procedimento ocorria em uma encruzilhada com duas testemunhas, um "Manel" e uma "Maria", que passavam a criança de um para o outro, enquanto se recitava uma lengalenga. 
Ficou aprazada a sessão no cruzamento onde hoje está a passagem desnivelada do caminho de ferro. Na altura, era tudo campo, tendo somente o Jardim João Serra e o Vítor Ferrador na entrada da avenida. O "Manel" era o Tio Manel, irmão do meu pai, e a "Maria" era uma amiga da minha mãe, a Maria Isaura (da família dos Calafates). A meio da sessão, o cão do Vítor Ferrador, pressentindo aquela azáfama humana, desatou a ladrar com intensidade de quem está preso e não pode ir espreitar o assunto… e no meio da debandada geral  o Manel e a Maria largaram a criança por terra. Quando tudo acalmou, e já em casa, o avô perguntou pela moça pequena. Ai Jesus! Que ninguém mais se lembrara da "engatadinha"  E lá vieram buscar-me à encruzilhada. Conta a família que eu estava no chão, deitada de bruços, embolada em terra como peixe enfarinhado.


Aí por volta dos meus dois anos, numa manhã cheia de sol, a minha mãe completou a minha indumentária com um lindo laço branco na cabeça e colocou-me à porta da Avó Cebola. Era aí o meu local privilegiado para observar todo o movimento do Largo da Feira. Como não andava, não havia o perigo de me ausentar inopinadamente da soleira da porta. Dentro de casa, a Avó Cebola fazia o seu governo quando ouviu bradar por ela aflitivamente. Veio à porta e o Ti João Maricas em altos gritos clamava “Ti Cebola! O "pórque" leva a Plácinha na boca!” Alarmados, avó e o dito vizinho desataram a correr em direção às “cabanitas”, para onde se dirigia também uma vara de porcos. Com grande aflição lá me descobriram mais à frente, abocanhada por um suíno, gordo e rosado. Escapei apenas com um ferimento ligeiro no pescoço. 
Mas, ao que parece, gostei desta modalidade de passeio pois contra o meu péssimo hábito de gritar por tudo e por nada, nem um piu saiu da minha boca durante a viagem!





Hoje, dia 5 de outubro, na passagem do seu 71º aniversário, a Prima dos Primos vem desejar-lhe muita saúde e longa vida!