CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DO TIO JOÃO BÚZIO

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

O Mais novo Elemento da Família



Aos pais, Sofia e Arménio, e à mana Mafalda, 
desejamos as maiores alegrias e felicidades.
 Aproveitem e desfrutem de cada momento das vossas vidas em conjunto.

À bebé LIANA desejamos o melhor do Mundo.

terça-feira, 4 de julho de 2017

Até sempre, Primo Miguel!



Que palavras diremos para uma situação sem explicação ou sentido?
Quando todas as palavras nossas nos falham recorremos aos Poetas que extraem das palavras o sentido, tal como tu recorreste às Pedras para, da sua frieza, retirar a Emoção e o Amor.
Não sei se alguma vez alguém te chamou o Senhor das Pedras, não das pedras frias sem explicação ou sentido, mas para nós eras o Artista das Pedras dos Poetas, feitas palavras de Amor e Saudade.


Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.  

Fernando Pessoa


domingo, 21 de maio de 2017

Até sempre, Tio Celestino!




Foste o Menino da primeira geração desta grande família. Foste o Menino não só para o Avô Xico e para a Avô Cebola, mas também para os irmãos cuja vintena de anos aguardaram o teu nascimento. Alguns se lembrarão da tua figura de criança roliça, de caracóis dourados, a calcorrear as pedras e a areia do Largo da Feira, fazendo birras engordadas de babas e ranhos e metendo-se com toda a malta bem vestida que por distração passasse perto do número 17 da Travessa do Matadouro. Muitos se lembram do jovem bem parecido, de cabelo ondulado, de riso franco e grande cordialidade para com todos.

Para os sobrinhos da primeira leva, foste o companheiro tratado de igual para igual, para os sobrinhos da geração seguinte foste o Tio afável, mimoso, herói de uma guerra que ninguém quis e quase todos foram chamados a participar. Aí, ainda eras o Menino. Para as gerações seguintes foste o Tio Banana, sempre divertido e afável, amadurecido com a experiência do trabalho em terras estrangeiras e com a experiência de uma família crescente a quem urgia dar um futuro.

Para a Tia Manuela foste o companheiro  sempre presente de dezenas de anos, para o bem e para o mal, na doença e na saúde.
Para os teus Filhos, Teresinha, Celestino, Fasquinho e Manelinha foste o pai lutador e de conselho pronto.
Para os teus Netos, Ricardo, Stefano e Anna, Leonardo e Grace e Ginevra e Rafael,  foste o avõ, il nôno, de abraços, de sorrisos, de carinho e ternura, e também o serias certamente com o teu bisneto Leandro, quando o conhecesses.

Para todos, foste o Celestino: o amigo de boas palavras e melhores ações, o Homem humilde, honesto e íntegro.
Embora pontuado de perturbação por esta ou aquela situação,  nunca procuraste nas relações com os outros guerras, discussões ou desgostos. E é por isso, por esse teu lado bom da vida, que outro não tiveste,  que ficarás sempre nos nossos corações.

Quando terminares esta viagem e chegares à verdadeira vida, a vida eterna, e te encontrares com todos os da família que já a fizeram antes, abraça-os em nosso nome e confirma que também eles estão sempre nos nossos corações .

Até sempre, Tio Menino, Tio Banana, Tio Celestino.



sábado, 20 de maio de 2017

domingo, 11 de dezembro de 2016

Mensagem de Natal


PARA 
OS TIOS E TIAS
E
PRIMOS E PRIMAS




A saudade pura não encontra distância no espaço, nem no tempo, criando de tal sorte um vínculo que, mesmo as almas estando separadas, se sentem unidas pela força do amor.

Francisco de Assis


sábado, 3 de dezembro de 2016

Avó Cebola - Aniversário

Na passagem do 117º aniversário do nascimento da Avó Cebola, recordemos o seu rosto ao longo da vida, nestas fotos que vão desde os 18 aos 79 anos.




E nestas modestas palavras da minha autoria, deixo o retrato que faço dela:


Entre pedras e poeira

Nasci no Largo da Feira

Minha mãe, rosto cansado
De rugas e desenganos
Não tinhas dias nem anos
Apenas sonho sonhado

De filhos, uma mão cheia
À tua roda vivia
No suor do dia a dia
Nos trilhos de volta e meia

Minha mãe, na selha de água
As parcas roupas lavavas
E a voz com que cantavas
De branco tingia a mágoa

Entre cestos e bancadas
Todo o resto bordejavas
E no peixe que enlatavas
Escorrias ânsias passadas

Minha mãe, rosto sulcado
De rugas e desenganos
Viste passar muitos anos
Viste passar o teu fado

Os filhos, todos partiram
Outras vidas arriscaram
E na sorte que ganharam
Toda a tua força viram
 
 
Oh, minha mãe, minha mãe
Teus olhos queria ver
Para nunca me esquecer
Qu’Entre pedras e poeira
Nasci no largo da feira

(Esperança Bebiana Afonso)

sábado, 12 de novembro de 2016

Lembranças

A guerra do Ultramar também marcou diretamente a nossa família. 
No início dos anos 60 do século XX, o Tio Russo e o Tio Celestino cumpriram o serviço militar obrigatório. A nuvem negra da Guerra que rebentara nas províncias ultramarinas pairava sobre milhares de jovens mancebos. 


Tio Russo
 O Tio Russo não foi chamado mas o Tio Celestino não se pode furtar à mobilização para Angola. Tanto quanto a minha memória alcança, creio que o seu destino foi o Distrito da Lunda, local de muita atividade guerrilheira, pois era a área geográfica dos diamantes. 

 
Tio Celestino em pose marcial

 
Muito sofrimento e muita dor, muita saudade de ambos os lados, dele e da família.
Um dia, em Matosinhos, chegou uma carta, envelope de via aérea, e lá dentro este apontamento fotográfico de uma partida de futebol entre jovens militares que pontapeavam o destino e driblavam o futuro numa terra distante.


O Tio Celestino, 1º à direita


Dedicatória da foto, para o Mano João


terça-feira, 1 de novembro de 2016

Os Bisas Viegas Contreiras (2)

Neste Dia de Todos os Santos, fica completo o ciclo de Vida do Pais do Avô Xico com as datas dos seus falecimentos.

Cemitério da Ajuda, Lisboa, 1935,  onde descansam os restos mortais dos Bisas

O bisa Francisco Viegas Contreiras faleceu aos 78 anos, de septicemia. O óbito aconteceu no nº 4 da Rua da Torrinha, às primeiras horas da manhã do dia 18 de dezembro de 1931, e foi declarado pelo Doutor Manuel Maria Barbosa Jr.

A bisa Joanna Baptista faleceu aos 81 anos de insuficiência cardíaca, ao final do dia 22 de janeiro de 1940, na sua casa na Rua das Hortas, nº 21. O óbito foi declarado pelo Doutor Manuel Maria Barbosa Jr.

Ambos foram sepultados no Cemitério da Ajuda, em Lisboa.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Mar Salgado

O Mar esteve sempre no centro da nossa grande família. Dele se tirou o sustento durante décadas e , das mais variadas maneiras,  condicionou a forma de viver de muitos de nós.
Pescadores profissionais, o Avô Xico e os Tios eram filiados na Casa dos Pescadores, organismo criado em 1937 e que regia todo o trabalho marítimo a par com a assistência médica e social.
Temos, então aqui, as fichas de associado dos nossos bravos Homens do Mar, com a infeliz excepção do Tio Celestino, que não consegui encontrar.


Avô Xico (sem foto)- inscrito em 1944

 
Tio Xico -  nova inscrição em 1975

Tio João - inscrito em 1944

Tio Manel -  inscrito em 1952

Tio António -  inscrito em 1956

Tio Márim -  nova inscrição em 1974

Tio Russo -  nova inscrição em 1974

Todos os Tios sabiam de cor e cantavam bem este Fado do saudoso Tristão da Silva:

FADO DO PESCADOR (clicar no título para ouvir)

 
 
Letra de Silva Tavares
Música de António Melo

sábado, 15 de outubro de 2016

Ser Pequenino

Já em tempos recuados, a nossa Família sempre se firmou em núcleos numerosos. Desde as épocas dos nossos Trisas, muitos tios e tias, e muitos primos e primas povoaram o nosso universo familiar, enchendo-se em décadas sucessivas de crianças acarinhadas que construiram um futuro que é agora o nosso importante património humano.

Presentemente, também os nossos núcleos familiares se reforçam com  gerações mais novas, tributadas com grandes capacidades e oportunidades que não desmerecem de ninguém.
Resulta, então, que este post é uma homenagem a todos estes Primos e Primas mais novos, que durante o ano de 2016 fizeram a celebração do seu aniversário.

Avó Cebola e Prima Bibiana (filha da Tia Maria Lucinda)


Para eles, o poema de Linhares Barbosa, que pode ser ouvido na barra lateral direita:


É TÃO BOM SER PEQUENINO

É tão bom ser pequenino,
ter pai, ter mãe, ter avós
ter Esperança no Destino,
e ter quem goste de nós.

Vem cá José Manuel,
dás-me a graciosa ideia
de Jesus na Galileia,
a traquinar no vergel.
És moreninho de pele,
como foi o Deus Menino.
Tens o mesmo olhar divino,
ai que saudades eu tenho
em não ser do teu tamanho,
é tão bom ser pequenino

Os teus dedos delicados,
nessas tuas mãos inquietas
Lembram-me dez borboletas,
a voejar nos silvados
E como tu sem cuidados,
também já corri veloz.
Vem cá, falemos a sós,
dum caso sentimental
Quero dizer-te o que vale,
ter pai, ter mãe, ter avós

Ter avós afirmo-te eu,
perdoa as imagens minhas,
é ter relíquias velhinhas,
e ter mãe é ter o céu.
Ter pai assim como o teu,
que te dá o pão e o ensino,
é ter sempre o sol a pino,
e o luar com rouxinóis,
triunfar como os heróis,
ter esperança no destino

Tu sabes o que é Esperança,
o Sonho, a Ilusão, a Fé.
Sabes lá o que isso é,
minha inocente criança.
Tu és fonte na pujança,
e eu o rio que chegou à foz.
Eu sou antes tu após.
Que saudades, que saudades,
a gente a fazer maldades,
e ter quem goste de nós.